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“A IDEIA DA NÃO VINCULAÇÃO
É MONSTRUOSA PARA A ESPÉCIE HUMANA”
Ana Cristina Pereira, Público, 13/07/2015
Jesús Palacios, professor da Universidade de Sevilha, estudioso da
adopção e do acolhimento, diz que a aposta em famílias de acolhimento
tem de ser faseada e acompanhada. "Para desenvolver-se bem, toda a
criança precisa que alguém esteja louca por ela", acrescenta, citando o
seu "mestre".
O professor da Universidade de Sevilha esteve na abertura e no
encerramento do I Simpósio do Programa Doutoral de Psicologia, no final
da semana passada, na Universidade do Porto. Entusiasmou-se ao falar nas
suas investigações sobre crianças e adolescentes, em particular sobre o
acolhimento familiar e a adopção, de que há tantos anos se ocupa. Alguns
dos modelos que desenvolveu nessas áreas foram aplicados em Espanha e
inspiraram outros países, como Portugal.
PÚBLICO: Portugal decidiu agora privilegiar o acolhimento familiar
de crianças até aos seis anos, em vez do acolhimento em instituição. É
uma mudança a que se assiste em toda a Europa. Porquê?
Jésus Palacios: Cada espécie animal está preparada para crescer num
contexto: este é o meu argumento. A espécie humana, particularmente nos
primeiros dois a três anos, precisa de um contexto individualizado, com
forte vinculação. As instituições resolvem bem alguns problemas, mas não
esta necessidade de personalização, de compromisso pessoal. Como dizia o
meu mestre Bronfenbrenner, para desenvolver-se bem, toda a criança
precisa que alguém esteja louca por ela.
As famílias de acolhimento podem dar isso?
É isso que têm de dar.
Há quem defenda que essa opção deva ser evitada porque a criança já
foi retirada à família biológica e entregue à família de acolhimento,
pode mudar para outra, regressar à família biológica ou ir para uma
família adoptiva.
A alternativa qual é? Estar num lugar sem vinculação. A ideia da não
vinculação é monstruosa para a espécie humana. Uma das coisas básicas
que um profissional [de um centro de acolhimento] tem de aprender é a
distanciar-se. Não pode sofrer pelas 24 crianças que tem a seu cargo. Às
famílias de acolhimento não lhes pedimos que se vinculem pouco, porque a
criança vai sair de lá, pedimos-lhes que se vinculem o mais depressa
possível. Deve é evitar-se a acumulação de transições.
Algumas são inevitáveis...
São. Devem ser preparadas. O que estamos a passar não é um objecto, não
é um pacote, não é um móvel. É um menino ou uma menina que tem
relações estabelecidas, vínculos. Há que fazer a mudança de maneira
gradual, suave, permitindo à criança manter algum tipo de contacto com a
família anterior.
A ENTREVISTA CONTINUA...
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